Engraçado como mudamos sem planejar mudar. Mudamos, às vezes sem querer.
Me lembro bem de como eu era quando mais jovem. Agia e pensava de forma tão diferente.
Eu era muito inquieto, cheio de idéias, ideologias e sempre por dentro dos assuntos mais falados. Sempre com uma opinião forte a respeito, na qual gostava de debater. Eu era cheio de inquietações, cheio de crises existenciais. Pensava muito e sobre tudo.
Mas chegou o dia, em que não havia mais o que pensar. Já tinha meu pensamento formado. O que não mudou foi que mantive sempre de mente aberta. Mas outras coisas sim mudaram bastante. Não era mais inquieto, minhas ideias se formaram, ideologias novas surgiram, outras ideologias morreram. Já não ligava mais em debater o assunto do momento tentando convencer arduamente o outro da minha opinião, ou ter a paciência de ouvir o outro querendo me convencer a dele. A minha opinião se tornou minha e minha somente. Algumas coisas já não valiam a pena serem discutidas. Me tornei mais quieto. Falava somente quando era realmente importante.
Não me importava mais em querer parecer inteligente, ou fazer coisas para agradar os outros. Passei a buscar ser realmente melhor sem querer mostrar pra ninguém que sou melhor. Comecei a fazer coisas por mim.
Passei a enxergar o que realmente importa, o que realmente faz a diferença pra mim.
Passei a ser mais tranquilo, mais sensato, mais feliz.
Fazia dois anos que Raquel e Diogo estavam namorando e estavam planejando uma viajem onde eles possam se distanciar um pouco da cidade e das pessoas. Queriam algo quieto e tranquilo.
Planejaram, conciliaram horários e estavam prontos para sua viajem de uma semana numa pequena e simples pousada na floresta na qual Diogo encontrou num web-site.
A pousada se encontrava dentro de um terreno onde havia varias cabanas de madeira. Eram muito simples. Não havia energia elétrica, havia uma lareira no canto e todos os moveis eram rústicos. Dava para sentir o cheiro da madeira ao entrar na cabana.
Chegando lá, Raquel e Diogo pagaram ao dono da pousada pela estadia, e pegaram as chaves de sua cabana.
-O dono desse lugar fica o dia inteiro lendo? Eu não aguentaria essa vida. - Disse Raquel
-Lógico que não, ele também fica fazendo as palavras cruzadas dos jornaizinhos. - Respondeu Diogo rindo do velhinho.
Ao entrar na cabana, arrumaram suas coisas e saíram um pouco pra conhecer o local.
Acabaram conhecendo Alice e Rafael, outro casal que estava hospedado na pousada.
Foram então os quatro juntos a conhecer o bosque.
No meio do caminho, Alice percebeu algo.
-Onde está o Rafael? Ele estava bem aqui com a gente!
-Será que ele se perdeu? - Disse Diogo preocupado.
Raquel de repente sente que há algo perto dela. Ela se vira de costas e vê uma sombra muito esquisita por entre os arbustos. Ela começa a se aproximar, e então é surpreendida - AHHHH - Grita Rafael, com a intenção de assustar Raquel.
Raquel fica muito brava e começa a correr atrás de Rafael. Eles acabam se distanciando um pouco de Diogo e Alice.
-Rafael, você está morto - Gritava Raquel, furiosa pela brincadeira de Rafael.
Rafael seguia correndo dizendo -Era só brincadeira Raquel, relaxa - e ria ao lembrar-se do susto.
Enquanto corria, Raquel notou um objeto na lama perto de uma arvore velha e seca. Era uma máscara. Essa máscara continha alguns símbolos e desenhos estranhos, mas parecia bem assustadora para Raquel. Ela viu aquilo como uma oportunidade para revidar a brincadeira que Rafael fez com ela. Então segurou a mascara em suas mãos e esperou que ele se distancia-se um pouco para que ele a procura-se. Ela ficou atrás de um tronco grosso de arvore esperando que ele passasse para que ela possa surpreende-lo.
Rafael percebe que não está sendo seguido e começa a voltar, andando lentamente com medo de levar um cascudo da Raquel.
-Raquel, é sério, me desculpa. Eu estava só brincando. Raqueel?
Ela então percebe que ele está passando e coloca a máscara que encontrou na cara para assusta-lo. Ao colocar a máscara, ela começa a se sentir tonta. Tudo começa a esmaecer e de repente ela simplesmente apaga.
Está tudo escuro e ela sente algo pingando em seu rosto. Começa a abrir os olhos lentamente. Percebe que está na floresta deitada. Está chovendo. Ela olha para a sua esquerda e se depara com a máscara.
-O que será que aconteceu? Eu bati a cabeça? Será que escorreguei?
Ela então olha para sua mão direita, e percebe que está ensanguentada e ao lado de sua mão estava uma pedra também ensanguentada. Ela começa a sentir que algo está errado.
Raquel então olha para a direita, e vê o corpo de Rafael caído no chão, ensanguentado e com o cranio esmagado.
Continua...
Era começo de faculdade. Robert havia se enturmado com alguns colegas de classe que se sentavam perto dele. Eles não eram muito parecidos, mas com a convivência foram se tornando mais próximos.
Robert propôs a ideia de fazerem algo depois da faculdade. Todos juntos fazendo algo legal, porque até então só se viam dentro da faculdade.
Ideias foram surgindo e todo mundo falando junto:
- Vamos pra balada
- Não, balada não. Odeio balada, é sempre cheio demais, som alto, muita zoeira.
- É, balada não, vamos pro barzinho da esquina.
- Sim, barzinho eu gosto!
- Barzinho não, eu não bebo, não gosto do ambiente e nem do cheiro.
- Pessoal, vamos lá em casa. A gente faz um lanche e ficamos conversando ou a gente vê.
- Qual é? Não sou do tipo caseiro.
- Nem eu.
- Ah, eu gostei da ideia.
- Vamos na Game Station.
- Vídeo games? Que perca de tempo!
- PESSOAL!! - Exclamou Robert. - Sério mesmo que nenhuma dessas ideias são boas o suficiente?
- Mas o Joe que ir pra balada. Coisa de quem não tem o que fazer.
- Ah é? E o Kleber que queria ir jogar vídeo game? Isso sim é coisa de quem não tem o que fazer. - Disse Joe.
- Antes vídeo game do quer ir pra barzinho ou balada pra ficar bêbado e beijar pessoas que nunca vi na vida. Isso sim é idiota.
-O GALERA! - Robert falou alto e gesticulando para chamar a atenção. - O intuito era fazer algo mais pela companhia, não tanto pelo passeio em si. Somos diferentes e também temos que respeitar uns aos outros. Agora, sendo sincero, jogar vídeo game é perca de tempo? Sim. Mas ir para o barzinho, ou para a balada ou para o cinema ou para qualquer lugar é perca de tempo vendo por esse ponto de vista. São só formas diferentes de nos distrairmos. São só gostos diferentes para fazer ''percas de tempo'' com os amigos.
Eu não disse o que eu gostaria de fazer. Então eu sugiro sentarmos aqui mesmo e conversarmos.
E assim foi. Simplesmente um grupo de amigos, ''perdendo tempo'', contanto histórias engraçadas, conversando e fortalecendo o laço de amizade.
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